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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Todos reclamam dos cestos de lixo

Existem 200 cestos de lixo
ao longo dos cerca de 6,6 km de praia
em Porto Belo, uma média aproximada
de um a cada 30 metros.
(Kunimund Kronke Junior)

Basta o sol aparecer para que as pessoas queiram vestir biquínis, maiôs, sungas e bermudas. Junto, levam à praia cadeiras, cangas, guarda-sóis e agora, entre outras coisas, carregam consigo pelo menos uma sacola plástica. O material, que é considerado vilão do meio ambiente pela demora na decomposição (cerca de 400 anos), virou a solução para a coleta de lixo onde faltam lixeiras na praia.





Enquanto percorríamos na manhã do domingo de Carnaval as praias de Porto Belo, do Baixio e do Jet Ski, em Porto Belo, muitos dos entrevistados revelaram que, além do respeito à natureza, trazem as sacolas plásticas de casa porque não encontram cestos de lixo. Ouça os depoimentos:


Maria Cristina Dias, 40, jornalista, Joinville (SC): 


Cláudia, 40, Curitiba (PR):



Patrícia, 28, médica, Florianópolis (SC): 



Alguns entrevistados manifestaram indignação ao relatar a falta de cuidado de outros frequentadores da praia. Saiba o que se faz de errado:


Cátia Canuto, 40, assistente técnico-pedagógica, Itajaí (SC): 


Fabiana Sandri, 41, escritora e empresária, Florianópolis (SC): 


Ingo José Maurici, 52, militar aposentado, Brusque (SC): 


Diante dessa situação, outros, por iniciativa própria, recolhem o lixo espalhado pela praia. Preste atenção às atitudes dos entrevistados:


Natalício Bonetti, aposentado, São José (SC): 



Maria da Graça Ferreira, 53, terapeuta ocupacional, Porto Alegre (RS): 


Mas, ao contrário do que disseram os turistas ouvidos pela reportagem, a maioria dos moradores de Porto Belo entrevistados acusaram a falta de cuidado da maioria dos turistas com o descarte do lixo. Alguns consideram que faltam cestos e garis, enquanto outros “absolveram” os visitantes.


Manoele, 16, balconista, Porto Belo (SC):



Leandro, 19, desempregado, Porto Belo (SC):



José Cardoso, 21, estudante, Porto Belo (SC):



Marcelo, 26, marceneiro, Porto Belo (SC):






O secretário de Planejamento e Ambiente de Porto Belo, Johnson Zunino, informa que existem cerca de 200 cestos de lixo ao longo das praias do município. Desses, 60 estão estragados. A troca está prevista para meados de novembro, como preparação para a temporada.


Limpeza das praias


Uma equipe de cinco pessoas trabalha na limpeza da orla de Porto Belo acompanhada por um trator com reboque. Entre o dia 20 de dezembro e o domingo após o Carnaval, o serviço é feito das 0h até as 7h. Fora da temporada de verão, os sacos plásticos das lixeiras são trocados toda segunda-feira e a limpeza das praias é realizada às sextas, salvo em casos de “sujeira excessiva”, provocada por eventuais ressacas e tempestades. Nesses casos, um caminhão com caçamba e uma retroescavadeira ajudam no serviço, realizado em qualquer dia da semana.


Três funcionários da prefeitura são os encarregados pela limpeza no Araçá. Eles moram na comunidade e executam tarefas diversas na rua e na escola local. Durante o verão, um deles é especialmente designado para cuidar da praia, enquanto no inverno a limpeza é realizada aleatoriamente por qualquer um dos funcionários, conforme a necessidade.


Já nas praias do Caixa D’Aço e Estaleiro, os donos dos barzinhos à beira-mar amontoam o lixo na areia para que o trator da prefeitura faça a coleta duas vezes por semana no verão (geralmente terças e sextas-feiras) e uma vez no inverno. Fora da temporada o dia do recolhimento depende da quantidade de lixo nas outras praias. “Se tem menos sujeira, sobra mais tempo para ir no Caixa D’Aço e no Estaleiro”, informa Carlos Afonso Grauppe, funcionário da secretaria de Transportes, Obras e Serviços Públicos.


Coleta de lixo


Dois caminhões se dividem na coleta de lixo em Porto Belo. Um percorre os bairros Vila Nova, Centro, Araçá e Saco da Encantada, enquanto o outro é responsável pelas localidades do Perequê, Jardim Dourado, Sertão de Santa Luzia, Santa Luzia, Alto Perequê e Praia de Perequê. Cada um deles recolhe entre 6 e 7 toneladas de lixo por dia durante o inverno e 14 durante o verão. A exceção é o bairro Araçá, lugar que, segundo a secretaria, não recebe tantos turistas e por isso a quantidade de três toneladas semanais varia pouco durante o ano. Os horários são baseados na necessidade de coleta de lixo de cada localidade.


A Secretaria de Transportes e Obras orienta os moradores para que:
  • coloquem o lixo nas lixeiras na véspera da coleta porque o caminhão recolhe de madrugada
  • embalem o lixo em sacos pretos. Eles são mais grossos que as sacolas de supermercado. “Senão quando [o gari] levanta o saco, ele rasga com o peso”, esclarece Carlos Afonso.
  • providenciem a colocação de lixeira na residência, se não tiverem um local adequado para o depósito de seu lixo. Assim, evita-se que cachorros e gatos espalhem o lixo pelas ruas.
Confira quando o caminhão passará na região mais próxima*:


Local
Dias da semana
Horário
Temporada de verão
Av. Governador Celso Ramos
e Centro
Diariamente
Após à 1h
Diariamente
Araçá
Terças e sextas
Após às 3h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
Vila Nova
Terças, quintas e sábado
Após às 3h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
Terças, quintas e sábados
Após às 3h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
Av. Hironildo Conceição dos Santos
Segundas, quintas e sábados
Após às 2h
Diariamente
Av. Atílio Fontana
Segundas, quintas e sábados
Após às 2h
Diariamente
Av. Colombo Salles
Segundas, quintas e sábados
Após às 2h
Diariamente
SC-412 (Até o Posto 4 Ilhas)
Segundas, quintas e sábados
Após às 2h
Diariamente
Terças e sextas
Após às 2h
Dia sim, dia não
Alto Perequê
Quartas e sábados
Após às 2h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
Santa Luzia
Quartas e sábados
Após às 2h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
Quartas e sábados
Após às 2h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
SC-412 (Após o Posto 4 Ilhas)
Segundas e quintas
Após às 2h
Diariamente
Praia de Perequê
Segundas e quintas
Após às 2h
Dia seguinte ao Jardim Dourado
*Os moradores do Sertão do Valongo, comunidade quilombola, depositam o lixo doméstico em um mesmo lugar. Quando uma caminhonete da prefeitura leva os funcionários para a região, aproveita-se para transportar o material até o Sertão de Santa Luzia, lugar mais próximo por onde o caminhão de lixo passa.
Fonte: Secretaria Municipal de Transportes e Obras

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tratamento de esgoto chega a Porto Belo

A prefeitura já instalou tubulações da rede de esgoto
no bairro Perequê. Agora começa a construir as estações.
(Divulgação/Prefeitura Municipal de Porto Belo)
Em maio deste ano, começaram as obras de implantação da coleta e do tratamento do esgoto de Porto Belo. Ruas próximas à praia de Perequê foram as primeiras a receber a tubulação. Agora com a chegada do verão, começa a construção de três das seis estações elevatórias e da estação de tratamento, para não aumentar os congestionamentos durante a temporada.


Segundo a engenheira sanitarista Janete Feijó, redes de coleta e tratamento de esgoto permitem maior controle do sistema. “Em vez de ter aquela produção difusa, em vários tratamentos individuais, o esgoto passa a ser tratado em um único ponto.” Janete entende que é mais fácil a empresa responsável pelo serviço fazer sempre a manutenção do que todo morador limpar a fossa. A engenheira avisa que nenhum dos sistemas vai funcionar direito se não for construído dentro das normas e não receber a manutenção adequada – recomenda-se limpar a fossa séptica todo ano, por exemplo.

Cada casa deve ter a sua fossa enquanto não existe sistema de coleta e tratamento de esgoto na região. Mesmo após o fim das obras, a fossa séptica não será totalmente abandonada. “É normal o município não ser atendido em 100%. Aquelas edificações que não vão ser contempladas pelo sistema urbano de esgoto, vão ter que continuar com o de tanque séptico”, afirma Janete Feijó.

O risco do sistema atual

O esgoto da casa cai em um tanque sob o pátio. Na primeira etapa, as partes sólidas afundam e o líquido que sobra passa para as fases seguintes, onde as partículas restantes vão ficando retidas em pedras e/ou sofrem a ação de bactérias. Depois a água pode ser lançada em corpos d’água sem problemas para o meio ambiente.

Clique na imagem acima para ampliar.

Segundo a engenheira Janete Feijó, junto com a água clara saem microorganismos causadores de doenças, como hepatite, cólera, diarréia e doenças de pele. A própria água do mar e o sol eliminam uma parte deles, por exemplo. Assim, a natureza garante níveis aceitáveis para si.

Porém, “tem que ser feita a desinfecção” para que a água possa ser consumida ou, por exemplo, usada na irrigação, garantindo a saúde da população. Águas subterrâneas também podem ser contaminadas quando a fossa não é bem impermeabilizada. “Se a água for utilizada na irrigação de hortaliças, de vegetais que se come cru, possivelmente vai conferir microorganismos patogênicos a esse alimento”, explica a sanitarista.

Mudanças também em Bombinhas

A Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan) planeja a construção de uma nova estação de tratamento de esgoto em Bombinhas. Atualmente, só o centro da cidade, que representa cerca de 10% das residências, é atendido. Em outros bairros, as casas têm fossas sépticas.

Segundo o gerente da Casan no município, Márcio Matias da Silva, a construção em um novo lugar deve começar no segundo semestre de 2011. Com a mudança, o serviço chegará aos bairros de Bombas (o mais populoso), Zimbros e Canto Grande. Assim, o tratamento pode chegar a 70% das residências.

Algo não cheira bem

Em Itapema, a prefeitura terceirizou o serviço de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. Desde julho de 2004, uma empresa concessionária atua no município.  Ela implantou o sistema de coleta e tratamento de esgotos a partir do zero. Segundo o site da empresa, “Itapema não tinha um metro sequer de redes coletoras de esgoto”.

Em fevereiro de 2007, a estação de tratamento de esgoto começou a funcionar. A rede de coleta está pronta no bairro Meia Praia desde o início de 2009 e atualmente se trabalha na implantação no Centro. Hoje a rede cobre mais de 50% da população, incluindo veranistas.

Mas análises de laboratório, feitas entre 2001 e 2010, apontaram que a estação de tratamento de esgoto poluía dois rios de Itapema. Então o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu, em março de 2010, a suspensão de obras no município e a cobrança da tarifa de esgoto até que o problema fosse resolvido. A prefeitura também deve criar uma entidade independente para regular e fiscalizar o serviço de saneamento básico. Atualmente o governo municipal e a empresa concessionária se defendem das acusações na Justiça.